Quem tem dermatite ou psoríase pode fazer procedimentos estéticos?

Quem tem dermatite ou psoríase pode fazer procedimentos estéticos

Uma das dúvidas mais frequentes que recebo no consultório é: “Doutor, tenho dermatite (ou psoríase). Posso fazer procedimentos estéticos?”

O receio é compreensível. Quem convive com uma doença inflamatória da pele sabe o quanto uma crise pode impactar o bem-estar, a autoestima e a qualidade de vida. Por isso, muitos pacientes evitam tratamentos estéticos por medo de piorar a doença ou desencadear novas lesões.

A resposta, na maioria das vezes, é tranquilizadora: sim, pacientes com dermatite ou psoríase podem realizar diversos procedimentos estéticos com segurança. No entanto, a indicação deve ser individualizada e levar em consideração o tipo de doença, sua atividade no momento e as características da pele de cada paciente.

O controle da doença é o primeiro passo

Antes de qualquer procedimento estético, é importante avaliar se a dermatite ou a psoríase está adequadamente controlada.

Peles inflamadas, com lesões ativas, coceira intensa ou irritação importante costumam apresentar maior risco de complicações, sensibilidade excessiva e pior cicatrização.

Por isso, uma avaliação dermatológica prévia é fundamental para definir o momento mais seguro para realizar qualquer tratamento.

Procedimentos que geralmente podem ser realizados com segurança

Quando a doença está controlada, alguns procedimentos costumam apresentar excelente perfil de segurança.

Toxina botulínica

A aplicação de toxina botulínica para tratamento das linhas de expressão da testa, glabela (“rugas entre as sobrancelhas”) e região dos olhos geralmente não interfere na evolução da dermatite ou da psoríase.

Por ser um procedimento minimamente invasivo e que não gera inflamação significativa da pele, costuma ser uma opção segura para a maioria dos pacientes.

Preenchimento com ácido hialurônico

Os preenchimentos faciais também costumam ser bem tolerados quando realizados de forma adequada.

Podem ser utilizados para correção de olheiras, restauração de volume facial, sustentação dos tecidos e harmonização de contornos, sem que isso represente necessariamente um risco aumentado de desencadear crises da doença.

Naturalmente, a indicação deve considerar o histórico clínico e o estado atual da pele.

Procedimentos que exigem maior cautela

Alguns tratamentos promovem uma inflamação controlada da pele como parte do resultado esperado. Nesses casos, a avaliação dermatológica torna-se ainda mais importante.

Limpeza de pele

Embora seja considerada um procedimento simples, a manipulação excessiva da pele pode provocar irritação, especialmente em pacientes com dermatite ativa ou pele extremamente sensível.

A técnica utilizada e o momento da doença fazem diferença.

Peelings químicos

Os peelings promovem renovação da pele através da aplicação de substâncias químicas que geram descamação e regeneração controlada.

Dependendo da profundidade do procedimento e da condição da pele, pode haver risco de irritação, piora da sensibilidade ou desencadeamento de inflamação.

Laser de CO₂

O laser de CO₂ é uma ferramenta extremamente eficaz para rejuvenescimento e tratamento de cicatrizes, mas também é um dos procedimentos que mais exigem planejamento em pacientes com doenças inflamatórias da pele.

Por promover uma resposta inflamatória intensa e controlada, a indicação deve ser feita com critério e, em alguns casos, pode ser necessário estabilizar completamente a doença antes da realização do procedimento.

Cada paciente é único

Uma pessoa com psoríase controlada há anos não apresenta necessariamente os mesmos riscos de alguém que está passando por uma crise ativa da doença. O mesmo vale para os diferentes tipos de dermatite.

Por isso, não existe uma regra única que sirva para todos os pacientes.

A decisão sobre realizar ou não um procedimento estético deve levar em consideração fatores como:

  • Tipo de doença de pele;
  • Grau de atividade da doença;
  • Área do corpo a ser tratada;
  • Histórico de crises anteriores;
  • Tipo de procedimento desejado;
  • Objetivos estéticos do paciente.

É possível cuidar da saúde da pele e da autoestima ao mesmo tempo

Ter dermatite ou psoríase não significa abrir mão dos cuidados estéticos.

Com planejamento adequado, avaliação individualizada e acompanhamento dermatológico, muitos pacientes conseguem realizar procedimentos com segurança e excelentes resultados.

O mais importante é entender que a saúde da pele vem em primeiro lugar. Quando a doença está bem controlada, frequentemente é possível associar tratamentos estéticos de forma segura, preservando tanto o bem-estar quanto a autoestima.

Se você possui dermatite ou psoríase e tem dúvidas sobre quais procedimentos são adequados para o seu caso, uma avaliação dermatológica especializada pode ajudar a definir as opções mais seguras e apropriadas para os seus objetivos.

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Autora

Foto de DRA. ALEXANDRA PEDRA DE CAL

DRA. ALEXANDRA PEDRA DE CAL

Tenho especialização em medicina de família e comunidade e dermatologia. Fiz toda a minha formação médica no Rio de Janeiro, especialização em dermatologia pela Policlínica Geral do Rio de Janeiro com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia.

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